terça-feira, 5 de outubro de 2010

A Casa de Usher

 «Durante todo um dia pesado, escuro e mudo de outono, em que nuvens baixas se amontoavam opressivamente no céu, eu percorri a cavalo um  caminho de campo de tristeza singular, e finalmente encontrei-me, quando as sombras da noite se avizinhavam, perante a melancólica Casa de Usher. Não sei como foi - mas, ao primeiro olhar que lancei à construção, uma sensação de insuportável angústia invadiu o meu espírito.»





«O que era - pensava eu, imóvel -, o que era isso que tanto me atormentava na contemplação da Casa de Usher? Era um mistério inteiramente impenetrável; e também não conseguia compreender as ideias nebulosas que me assaltaram. Fui forçado a contentar-me com a conclusão insatisfatória de que se, por um lado, há sem dúvida combinações de coisas simples que têm o poder de assim nos afectar, por outro, a análise desse poder ainda está por entre as cogitações que estão além do nosso alcance.»

 



«O resplendor vinha de uma luz no ocaso, grande, da cor do sangue, que agora brilhava vivamente através daquela fenda antes apenas perceptível, da qual já disse que se estendia em ziguezague desde o telhado do edifício até ao seu alicerce. Enquanto eu olhava, a fenda alargou-se rapidamente - houve uma rajada mais impetuosa de ventania - o globo inteiro do satélite invadiu de repente o meu campo de visão - e o meu cérebro sofreu como que um desfalecimento quando vi que as grossas paredes ruíam, despedaçando-se - houve um longo e tumultuoso estrondo, com mil vozes de água - e a profunda e sombria lagoa a meus pés fechou-se sombriamente sobre os destroços da Casa de Usher







Texto: excertos de "The fall of the house of Usher", 1839, Edgar Allan Poe

2 comentários:

RAA disse...

Gosto à brava do Alan Parsons.

Ana Paula Sena disse...

É como eu, Ricardo!