segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Pensar com Dupin - I


A probabilidade do improvável


«Mesmo entre os pensadores mais lúcidos, há poucas pessoas que não tenham sido, ocasionalmente, levadas a uma vaga, embora penetrante, quase crença no sobrenatural, por coincidências de, em aparência, tão maravilhosa natureza que, como meras coincidências, o intelecto as não pôde apreender. Tais sentimentos - porque as quase crenças nunca atingem a plenitude de um pensamento - tais sentimentos raro são cabalmente anulados, a não ser referindo-os à teoria do acaso ou, como se diz em linguagem técnica, ao Cálculo das Probabilidades. Ora este Cálculo é, na sua essência, puramente matemático; eis-nos, pois, perante a anomalia de o que, em ciência, há de mais rigorosamente exacto, se aplicar ao sombrio e ao espiritual da mais intangível das especulações.»
in Edgar Allan Poe, O Mistério de Maria Roget



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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Questões de navegação



Anda por aí um navio envolto em mistério. Um caso digno de Sherlock Holmes. A história do Artic Sea parece estar muito mal contada. À medida que vão surgindo notícias do desenvolvimento desta história, tudo acerca do caso fica ainda mais duvidoso. O que vamos sabendo... parece constituir uma história fantástica cheia de incongruências. Mas a realidade contém sempre motivações muito terrenas. Seria interessante (re)conhecer no caso do Artic Sea os verdadeiros factos. Serão alguma vez divulgados?!

A propósito de navegações envoltas em mistério, em memória de Sherlock Holmes, vale a pena recordar "A Tragédia do Glória Scott", história que Watson recorda como tendo sido decisiva, para levar o nosso detective a transformar em profissão o que considerara, até essa altura, uma simples mania. O Glória Scott era um barco de prisioneiros. O seu trágico destino resultou, de acordo com a narrativa, de uma revolta destes proscritos, tendo ela conduzido ao naufrágio da embarcação. O que se passou nessa hora final, bom, isso é algo que nunca foi apurado rigorosamente.



«Foi no ano de 1855, quando a guerra da Crimeia estava no auge e os velhos navios de prisioneiros estavam a ser largamente empregados como transporte no mar Negro. O governo foi obrigado então a usar os barcos menores e a adaptá-los ao transporte dos seus prisioneiros. O Glória Scott andava no tráfego chinês do chá. (...) Levava quase cem almas quando saímos de Falmouth. (...)

(...) Alguns pormenores da viagem do barco Glória Scott. Desde a sua saída em Falmouth, no dia 8 de Outubro de 1855, até à sua destruição na lat. N. 15º 29', long. W. 25º 14', em 6 de Novembro. (...)»
in Sir Arthur Conan Doyle, A Tragédia do Glória Scott

Evidentemente, os casos não têm qualquer relação entre si, a não ser o facto de Sherlock Holmes poder interessar-se pelo caso do Artic Sea. Mas, acontece estar ocupadíssimo com outro caso. Não é possível afastá-lo das suas actuais tarefas, tal é a concentração em que se encontra.


Imagem de arquivo do Artic Sea AQUI

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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Elementar, meu caro Watson!


Como sabemos, a verdade é que Sherlock Holmes nunca disse tal. Encontramos, sim, na leitura das suas aventuras, expressões tais como: "Assim o espero, Watson, assim o espero." ou "Marque um ponto, Watson.", entre outras possíveis de citar.

O processo ou processos pelos quais acontecem imprecisões deste tipo, ou o modo como nos situamos enquanto leitores face ao imenso universo literário disponível; é esse mesmo o centro da análise e reflexão de Pierre Bayard. Professor de literatura e psicanalista, Bayard interroga-se sobre "como falar dos livros que não lemos". É neste contexto que podemos acompanhar uma conversa com ele, e também com Umberto Eco. Analisando o facto de, inúmeras vezes, certas afirmações (ou negações) serem incorrectamente atribuídas a diversos escritores, Eco (com muito sentido de humor) refere, entre outros exemplos, precisamente o caso de Sherlock Holmes e da célebre expressão "Elementar, meu caro Watson!".

Certo é ser impossível ler tudo. De acordo com Bayard, não devemos culpabilizar-nos por isso. Sinceramente, fico muito mais aliviada. Sei o quanto não vou conseguir ler, o quanto me falta ler, o quanto gostaria de ler que nunca concretizarei... Movemo-nos num universo literário que nos escapa. No entanto, ele é-nos familiar. Ainda que muitas vezes com imprecisões, passeamos por ele, quase sempre com muito prazer.


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terça-feira, 11 de agosto de 2009

O Regresso de Sherlock Holmes


[Sherlock Holmes]

O grande detective decidiu regressar. Traz consigo o inseparável Dr. Watson, mas também muitos amigos. Entre eles, o igualmente grande Edgar Allan Poe. Acontece que muitos mistérios e casos para deslindar concentraram-se em terras portuguesas. Pouco habituado a dias tão soalheiros, como os que nascem nestes lugares, à época, Holmes recolhe-se, mas, de vez em quando, dá um ar da sua graça (imensa, fleumática e raciocinante).

Está também em preparação um novo filme sherlockiano. Prevê-se um Holmes diferente, mais brigão e também muito mais relacionado com amores e emoções afins. Bom, eu gosto do Sherlock Holmes tradicional, mas... o mais importante é mantê-lo vivo. Ainda que esta caracterização física e psicológica me mereça, desde já, algumas críticas (que ficarão para mais tarde).

Antevendo o filme: imagens e trailer


[Sherlock Holmes e Watson]


[Watson]



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Mais sobre o filme AQUI

Sobre Guy Ritchie